Com um olho no PIB e outro em 2012, Dilma quer atenuar crise
BRASÍLIA - Para o Palácio do Planalto, a estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre foi ruim, mas já era amplamente esperada. A preocupação agora é tentar mudar essa tendência rapidamente para evitar uma repercussão política negativa em 2012, ano de eleições municipais, observou ao GLOBO um ministro da área política.
O pacote de incentivo ao consumo e ao investimento, com R$ 7 bilhões em desonerações, já foi uma resposta. Ele se junta à redução dos juros, defendida pela presidente Dilma Rousseff. A sua orientação é para que sejam feitos todos os esfoços para minimizar os efeitos da crise, que se acentuou justamente no início do terceiro trimestre. Um comportamento, aliás, bem diferente do que adotou o então presidente Lula ao afirmar que a crise internacional seria só uma "marolinha" para o Brasil.
- Isso (pacote e juros em queda) mostra que a presidente Dilma já estava agindo para diminuir os efeitos da crise - disse esse ministro.
Para o Palácio do Planalto, não era possível prever no primeiro semestre uma crise internacional tão aguda. Por isso mesmo, o governo não pode ser culpado de exagero nas medidas de restrição ao crédito e na alta dos juros no primeiro semestre, observou um auxiliar palaciano.
Nessa linha, esse mesmo auxiliar ressaltou que o mercado fez duras críticas ao Banco Central quando, de forma surpreendente, ele reduziu em 0,5 ponto a Taxa Selic em agosto.
Planalto não descarta medidas extras
Não há novo pacote de medidas em elaboração, até segunda ordem. Mas o Planalto não descarta novas medidas pontuais para ajudar a estimular a economia, caso haja necessidade. Ao mesmo tempo, a determinação é manter o ajuste fiscal para o próximo ano, até mesmo para que haja condições de um período mais prolongado de corte dos juros.
Foram destacados no Planalto que dois fatores devem ser fundamentais para o aquecimento da economia no primeiro trimestre de 2012: o efeito da queda dos juros nos últimos meses, e principalmente, o reajuste do salário mínimo de 14,26%, o que vai estimular o consumo.
Segundo interlocutores, a presidente teria ficado muito preocupada com a ameaça de rebaixamento de países europeus pela Standard&Poor's.
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