Anvisa decide proibir venda de cigarros com aroma e sabor
Existem vários
cigarros com substâncias que alteram o aroma e o sabor do tabaco. Além do
mentol, a indústria usa cravo, canela, chocolate, baunilha.
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu, nesta terça-feira (13),
proibir a venda de um tipo especial de cigarro.
O primeiro trago foi aos 14 anos. E para começar a fumar,
Matheus experimentou um tipo diferente de cigarro.
“Eu comecei com cigarro mentolado. Aí, algum tempo depois
experimentei o cigarro tradicional e acabei gostando”, conta o estudante
Matheus Guilherme da Fonseca.
Hoje no mercado existem vários cigarros com aditivos -
substâncias que alteram o aroma e o sabor do tabaco. Além do mentol, a
indústria usa cravo, canela, chocolate, baunilha.
E segundo uma pesquisa feita com 17 mil estudantes, é assim que
muitos adolescentes começam a fumar. Já experimentaram cigarros de 30% a 36%
dos entrevistados que têm entre 13 e 15 anos. E 60% deles provaram o cigarro
com aditivo.
“Os aditivos, na verdade, eles são armadilhas para que as
crianças e adolescentes comecem a fumar. O aditivo facilita a entrada pra
fumante regular. E uma vez fumante regular, todos sabem como é difícil parar de
fumar”, afirma Vera Luiza da Costa e Silva, da Escola Nacional de Saúde
Pública.
Depois de um ano de debates, a Anvisa decidiu proibir esses
aditivos. Apenas oito substâncias vão ser permitidas, entre elas corantes e o
açúcar.
Para usar qualquer outra substância que não esteja na lista de
exceções, a indústria vai ter que pedir permissão a Anvisa. Mas cigarros com
sabor só vão sair do mercado daqui a um ano e meio. Charutos e cigarrilhas
terão que ser modificados em dois anos. As regras também valem para os importados.
Para a indústria, a decisão vai estimular o contrabando. “Vai
afetar consideravelmente o setor. Isso vai gerar uma abertura ao mercado ilegal
porque o consumidor que fumava vai continuar consumindo esse produto”, acredita
Carlos Fernando Galant, diretor da Ass. Bras. da Indústria do Fumo.
O diretor da agência considera um avanço para a saúde pública.
“Todas as evidências científicas que existem hoje no Brasil e no mundo inteiro
são claras ao afirmar que: restringindo o uso de aditivos, você restringe a iniciação
de novos fumantes”, afirma o diretor da Anvisa José Agenor da Silva.
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