Produção industrial tem maior
queda em três anos
RIO DE JANEIRO, 7 Mar (Reuters) - A produção industrial brasileira
caiu 2,1 por cento em janeiro ante dezembro, a maior redução mensal desde
dezembro de 2008 -no auge da crise financeira global.
Na comparação com janeiro de 2011, a produção no primeiro mês de
2012 diminuiu 3,4 por cento, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
Economistas consultados pela Reuters esperavam queda de 0,80 por
cento em janeiro sobre dezembro, segundo a mediana das projeções. Para a
comparação com janeiro do ano passado, a previsão era de queda de 1,5 por
cento.
O dado de dezembro de 2011 ante novembro foi revisado para baixo,
de alta de 0,9 por cento para aumento de 0,5 por cento. A comparação entre
dezembro do ano passado e dezembro de 2010 também sofreu revisão negativa,
passando a apresentar queda de 1,3 por cento, ante o 1,2 por cento informado
anteriormente.
O setor industrial foi o destaque negativo dos números do Produto
Interno Bruto (PIB) divulgados na véspera. O PIB brasileiro cresceu 2,7 por
cento em 2011, mas a indústria teve expansão de apenas 1,6 por cento no ano (frente
aos 10,4 por cento em 2010), de acordo com IBGE.
Os números do PIB revelaram ainda que os segmentos industriais com
pior desempenho em 2011 foram os que sofrem mais concorrência de importados,
como vestuário, calçados, metalurgia e automóveis.
Preocupado com os efeitos do que chamou de "guerra
cambial" sobre a indústria, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou
na terça-feira que o governo prepara um pacote de medidas para estimular o
setor, que abrangerá novas ações contra a valorização excessiva do real.
Na quinta-feira passada, o governo brasileiro anunciou duas
medidas para frear a apreciação da moeda, que ameaça os exportadores e a
indústria como um todo.
Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central deve anunciar mais um corte na taxa Selic, hoje em 10,50 por
cento ao ano. No mercado financeiro, as apostas nos últimos dias dividiam-se
entre mais um corte de 0,50 ponto percentual e uma redução maior, de 0,75
ponto.
(Por Rodrigo Viga Gaier e Diogo Ferreira Gomes)
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