Hora do lazer: momento em que
todos concordam
RIO - Após debates diários (e às vezes exaustivos) no Riocentro, a
sexta-feira foi de relaxar e conhecer a cidade para muitos conferencistas.
Autoridades estrangeiras e integrantes das comitivas subiram à tarde o Pão de
Açúcar e o Corcovado, os mais famosos cartões-postais do Rio, para aproveitar
suas primeiras horas de folga. À tarde, o Cristo Redentor recebeu três
delegações de uma só vez: o primeiro-ministro de Fiji, Frank Bainimarama, a
princesa Chulabhorn Mahidol, da Tailândia, e a primeira-ministra da Dinamarca,
Helle Thorning-Schmidt.
O tempo frio e fechado logo no último dia da Rio+20 foi lamentado
por quem esperava curtir uma praia logo após o encerramento da conferência da
ONU sobre sustentabilidade. Mas há também quem tenha gostado do clima:
- Está muito agradável. Gosto muito desse clima frio. No meu país
é sempre muito calor, tem sempre sol - dizia Ahmed Galib, funcionário do
Ministério do Meio Ambiente de Omã, do alto do Cristo Redentor, onde é ainda
mais frio.
Abdulla Bin Touq, do gabinete do primeiro-ministro dos Emirados
Árabes, tinha apenas a tarde de ontem para conhecer a cidade, e escolheu o
Cristo:
- Quero voltar com mais tempo para conhecer o Rio, que amamos -
contou Abdulla, que não escondeu a frustração de ver um Rio de Janeiro cinzento.
- Fiquei surpreso de vir ao Rio e não ver muitas pessoas na praia.
Do Quênia, Alice Odingo, que veio à Rio+20 pela Soroptimist
International, uma organização mundial de mulheres, investiu parte do dia livre
para ir ao Pão de Açúcar e ao Cristo Redentor. Mas o que chamou a atenção mesmo
da queniana foram as favelas avistadas no caminho do Corcovado:
- Amei a floresta (da Tijuca) e as favelas que vi. No Quênia, as
favelas são diferentes, não são em morros. Com essa vista que eles têm aqui não
podem ser pobres!
Enquanto isso, turistas tiravam fotos da princesa da Tailândia,
que ficou o tempo todo cercada por um forte esquema de segurança.
Mulher de Ahmadinejad visitou o Pão de Açúcar
Em frente à estação do bondinho do Pão de Açúcar, na Urca, o
vaivém de carros oficiais foi constante durante os últimos dias. Autoridades do
primeiro escalão dos governos da Tunísia e do Gabão estavam entre os
visitantes. Iranianas da delegação do presidente Mahmoud Ahmadinejad, incluindo
a primeira-dama do país, Azam Farahi, andaram no bondinho anteontem e fizeram
compras no RioSul.
Mas outros dois integrantes da delegação do país ainda
aproveitavam o Rio ontem. Intérprete da comitiva, o iraniano Azim Fatemi Nia,
ao lado do amigo Hassan Jafari, foi ao Pão de Açúcar antes de embarcar para
Doha, no Qatar:
- Eu também já fui ao Cristo, a Copacabana e à Catedral
Metropolitana.
Ele disse ter amado o estilo de vida dos cariocas:
- No Norte do Irã temos um lugar parecido com o Pão de Açúcar,
onde também usamos teleférico para subir. Mas achei toda a cidade muito legal.
O que me deixou mais surpreso aqui no Rio foi ver desde crianças de três anos a
pessoas com mais de 70 correndo na praia, jogando futebol, fazendo atividades
ao ar livre. O Rio é uma cidade muito viva, muito colorida.
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