Anatel: novo regulamento para telefonia é
adiado por 70 dias
A votação de um novo regulamento de
gestão de qualidade para a telefonia fixa pelo Conselho Diretor da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi adiada por pelo menos 70 dias. O
atraso foi motivado por pedido do conselheiro Jarbas José Valente, que
manifestou a necessidade de fazer uma "análise criteriosa da
matéria".
Jarbas Valente já havia pedido vista do processo no
último dia 2, mas considerou que precisaria de mais tempo para terminar sua
análise. Segundo o conselheiro, o prazo foi ampliado por coincidir com o seu
período de férias.
Na última quinta-feira, o conselheiro Rodrigo
Zerbone Loureiro, que havia feito pedido de vistas anteriormente, apresentou
voto pela aprovação do relatório apresentado por Marcelo Bechara. Ele, no
entanto, incluiu algumas alterações à proposta, em especial no modelo de
reclamações.
A principal mudança sugerida por Zerbone está
relacionada à classificação de queixas, especialmente relacionadas a cobranças
indevidas, diferenciando-as entre procedentes e improcedentes, de forma a dar
mais segurança aos processos. Além disso, o conselheiro ressaltou que a
classificação como improcedente só poderá ser feita com a concordância do
usuário.
"Se colocarmos [no regulamento] que, para a
reclamação ser classificada como improcedente é necessária a concordância do
usuário, ele precisará ser convencido pela empresa. Isso dará maior poder ao
usuário", explicou.
Foi após a apresentação do voto de Zarbone que
Valente fez pedido de vista em relação à matéria, o que impossibilitou a
votação do processo pelo conselho.
O Regulamento de Gestão de Qualidade das
Prestadoras do Serviço Telefônico Fixo Comutado prevê tratamento diferenciado
para as empresas de acordo com o seu tamanho ou alcance.
Bechara garante que, se aprovado,
o novo regulamento não vai determinar a perda da qualidade do serviço, e que
muitas das regras impostas às empresas poderiam ser barreiras de entrada para
operadoras de pequeno porte, prejudicando a concorrência no setor. "As
empresas de pequeno porte são as que têm de buscar mais qualidade para se
manterem competitivas e sobreviverem nesse mercado", justificou.
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