Após acordo com a GM, sindicato diz
que luta pelo emprego continua
Risco de demissão
em massa está afastado até o fim de novembro.
Reunião de conciliação levou mais de 9 horas neste sábado, em São José.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos
Campos, no interior de São Paulo, informou em entrevista coletiva neste sábado
(4), após a reunião que afastou o risco de demissões em massa na GM, que vai
continuar trabalhando nos próximos meses para manter o emprego dos funcionários
da montadora. Foram nove horas de negociação com a empresa e representantes dos
governos federal, estadual e municipal para evitar os cortes na planta
joseense.
O acordo com a empresa prevê o afastamento do risco
de demissões até o fim do mês de novembro, quando o modelo Classic deixará de
ser fabricado na planta joseense. "Chegamos a um entendimento que será
levado aos nossos trabalhadores em assembleia, mas neste momento o risco de
demissão em massa está afastado. É importante ressaltar que a luta pelo emprego
segue", explica Antônio Ferreira de Barros, presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos.
O Sindicato disse que vai manter diálogo com a empresa e também com o governo. "Nesses 60 dias vamos discutir uma série de temas, como a manutenção dos empregos, novos investimentos para planta e a saída do layoff. A posição do sindicato é que a luta tem que continuar. A exigência a todas as esferas do governo tem que continuar para que a gente possa chegar ao fim desse processo e não haja nenhum pai de família demitido. Essa é a luta que o sindicato está empenhado e vai continuar", afirma.
O Sindicato disse que vai manter diálogo com a empresa e também com o governo. "Nesses 60 dias vamos discutir uma série de temas, como a manutenção dos empregos, novos investimentos para planta e a saída do layoff. A posição do sindicato é que a luta tem que continuar. A exigência a todas as esferas do governo tem que continuar para que a gente possa chegar ao fim desse processo e não haja nenhum pai de família demitido. Essa é a luta que o sindicato está empenhado e vai continuar", afirma.
Acordo
A produção do Classic será mantida na unidade até 30 de novembro em função de um acordo que será levado ao sindicato para a categoria em assembleia na próxima terça-feira (7). A categoria vai decidir pelo layoff, que é a redução temporária do período de trabalho ou suspensão do contrato de trabalho, durante um período de tempo, que no caso do acordo proposto será de 3 meses e 10 dias.
Nesse período, os funcionários que estiverem no programa receberão os salários integrais, que serão pagos pelo governo do Estado por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e também pela empresa. Além disso, os operários deverão participar de cursos de qualificação profissional.
Após a aprovação dos termos, que deve ocorrer na
terça-feira, os trabalhadores terão 15 dias de férias coletivas para que se
cumpra o aviso prévio da licença remunerada. A medida vai afetar 940
funcionários do setor MVA. A produção do Classic vai continuar com 900
metalúrgicos, o que mantém o nível de produção da linha.
Outra proposta que deve afetar os trabalhadores é um Plano de Demissões Voluntárias que será executado em um prazo de 60 dias. Caso o acordo deste sábado não fosse concretizado, a previsão era de que 1.840 postos de trabalho fossem fechados na montadora.
Outra proposta que deve afetar os trabalhadores é um Plano de Demissões Voluntárias que será executado em um prazo de 60 dias. Caso o acordo deste sábado não fosse concretizado, a previsão era de que 1.840 postos de trabalho fossem fechados na montadora.
A reunião de conciliação teve início por volta das
9h30, com participação de representantes da empresa, do Sindicato dos
Metalúrgicos, o secretário nacional de Relações do Trabalho, Manoel Messias
Nascimento Melo, o secretário estadual de Relações do Trabalho, Carlos Andreu
Ortiz, além do prefeito da cidade, Eduardo Cury (PSDB).
Solidariedade
Um grupo de 30 pessoas entre trabalhadores da GM em São José e representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, que vieram a São José dos Campos, foram ao local, mas não participaram do encontro, que discutia a possível demissão de 1,5 mil trabalhadores com o fechamento do setor MVA (Montagem de Veículos Automotores).
"Viemos em solidariedade aos
trabalhadores e ao sindicato local, apesar de ser oposição. Pedimos que se
evitem as demissões, porque sabemos que isso gera reflexos em toda a cidade.
São milhares de empregos em jogo. A linha produtiva da GM é muito flexível. O
Spin, por exemplo, poderia ser produzido em São José também", disse o
secretário geral do sindicato de São Caetano do Sul, Marcelo Toledo, que é
ferramenteiro há 23 anos na GM.
Já o metalúrgico Luís Fabiano Costa, de 36 anos, que é
montador no MVA, acreditava em um acordo contra as demissões. "Temos muita
esperanças nessa reunião para que haja uma proposta que garanta nosso emprego.
Hoje, o trabalhador tá muito aflito, com medo. Vivemos essa situação desde
outubro e queremos uma solução concreta", contou.
Impasse
Impasse
A discussão para a manutenção das vagas gerou um impasse entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a montadora. O último encontro havia sido realizado no dia 25 de julho e terminado sem acordo.
Na última quinta-feira (2), o governador
Geraldo Alckmin (PSDB) se reuniu com representantes do Sindicato dos
Metalúrgicos e se declarou contrário à ameaça de demissões. De acordo com os
sindicalistas, o governador paulista afirmou que fará esforços para assegurar a
manutenção dos postos de trabalho na planta joseense. Alckmin teria se
comprometido a procurar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tratar do
assunto.
Mobilizações
Também na quinta-feira (2), os trabalhadores da planta joseense decidiram fazer uma manifestação e bloquearam os dois sentidos da Via Dutra, no trecho próximo à sede da empresa.
O protesto aconteceu após o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, declarar que "a GM contrata mais do que demite e está
cumprindo o compromisso com o governo federal de manter o nível de
empregos".
A fala foi feita depois de um encontro com os
representantes da empresa no início da semana. Porém, nesta sexta-feira (3),
Mantega disse por meio de sua assessoria que não
vai ‘tolerar’ demissões e setores com IPI baixo.
Portas fechadas
Portas fechadas
No último dia 24 de julho, a unidade da GM em São José dos Campos amanheceu fechada e isolada. A montadora alegou que dispensou todos os funcionários temendo possíveis mobilizações dentro da unidade.
Uma semana antes, dia 16, os metalúrgicos da
GM aprovaram uma greve de 24 horas para tentar impedir os planos da montadora
de encerrar as atividades do setor MVA no município - a segunda mobilização em
menos de uma semana. No dia 12, os trabalhadores realizaram uma paralisação de
advertência de duas horas e votaram estado de greve.
A situação
O complexo industrial da GM de São José dos Campos abriga 8 fábricas com cerca de 9 mil funcionários, que produzem, separadamente, automóveis, a picape S10 e o utilitário Blazer, além de kits desmontados para exportação, motores e transmissão.
A montadora afirma que apenas o setor de
automóveis (MVA) enfrenta o problema com negociações sindicais para a
implementação de novos projetos. Ali trabalham cerca de 1.500 pessoas.
No MVA de São José, eram fabricados os
modelos Zafira, Meriva, Corsa Hatch, Corsa Sedan e Classic. Hoje, só a última
linha funciona: a produção dos 3 primeiros automóveis cessou recentemente. A da
Zafira e a da Meriva, neste mês. A do Corsa, na semana passada. Eles deram (ou
darão) lugar a outros automóveis no portfólio da Chevrolet, que lançou 9 carros
novos desde 2009 e renovou outros 3. Há outros lançamentos previstos para este
ano.
Desses, só as novas gerações da picape S10 e
da Blazer (esta ainda sem data de estreia), ficarão em São José, mas pertencem
a outro setor que não o MVA. Entre os automóveis, nenhum novo modelo tem
previsão de ser produzido no setor.
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