Entra em vigor lei que diminui
horário de trabalho de motoristas de cargas
Mudanças visam garantir mais segurança
aos profissionais das estradas.
De acordo com a ANTT, tempo máximo ao volante será de 10 horas diárias.
Está em vigor para todo o país a lei que reduz o número
máximo de horas trabalhadas por motoristas de veículos pesados e de
passageiros. As mudanças visam garantir mais segurança aos profissionais das
estradas.
Orcy Julianne Amaro trabalha como
caminhoneiro há nove anos. Durante este tempo, ele afirma que já viu colegas de
profissão em situação de risco por causa da sobrecarga do trabalho diário. “Já
perdi vários colegas por isso, muita carga-horária em cima, muito trabalho”,
conta o caminhoneiro. Para reduzir o número de acidentes envolvendo
caminhoneiros e veículos de transporte de passageiro, a Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT) determinou que, a partir de agora, os condutores
deverão evitar excesso de horas trabalhadas.
De acordo com a ANTT, o tempo máximo ao
volante é de 10 horas diárias e a cada quatro horas dirigidas, será obrigatória
uma parada de 30 minutos. No total, serão 11 horas de repouso por dia. Com a
nova lei, cada caminhão terá 30% de redução de quilômetros rodados durante o
mês e no tempo parado em fiscalizações e terminais de carga e descarga, o
caminhoneiro deve ser remunerado. “Para nós, que somos motoristas de frotas de
empresas, o horário é ótimo. Realmente estávamos necessitando deste intervalo
de descanso. Acho que o fator principal desse excesso e acidente e mortes nas
estradas está relacionado diretamente com o fator do cansaço”, diz o
caminhoneiro Silvani Silva. Para controlar o tempo de tráfego destes veículos,
a Polícia Rodoviária Federal passará a realizar fiscalizações nas estradas. “Se
o motorista for flagrado através da fiscalização ele terá o documento do
veículo retido e será encaminhado a algum lugar próprio para descansar por um
determinado período de tempo, que será estipulado pelo agente de fiscalização”,
explica o inspetor da PRF, Clodoaldo Freire.
Mesmo gostando da determinação, alguns
caminhoneiros acreditam que as paradas obrigatórias devem gerar um custo que
pode sair do bolso o consumidor final. “O que vai acontecer é que ficaremos 30,
40, até 50 dias fora e o custo pelo horário deve baixar o salário para R$
1.300,00 a R$ 1.400,00, sendo que um motorista que trabalha por mês ganha, em
média, R$ 3.000. Claro que essa parte as empresas não declaram. Ninguém está
falando do consumidor, mas infelizmente, o custo operacional do caminhão que
não vai dar para pagar, irá para ele”, diz o caminhoneiro Edilson Silva da
Cruz.
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