Gastos com dependentes de presos
chegam a R$ 142 milhões
RIO - Só nos seis primeiros meses deste ano, o governo gastou com
dependentes de presos com contribuição prévia à Previdência Social, um total de
R$ 142 milhões. O valor desembolsado neste período é quase o mesmo que os R$
142,1 milhões previstos para os gastos com o funcionamento das Instituições
Federais de Educação Básica e quatro vezes o que será desembolsado com a ação
de "apoio ao Desenvolvimento da Educação Básica nas Comunidades do Campo,
Indígenas, Tradicionais, Remanescentes de Quilombo e das Temáticas de
Cidadania, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Políticas de Inclusão dos Alunos
com Deficiência" em 2012.
O benefício, conhecido como "auxílio-reclusão", é pago
mensalmente pelo INSS e é destinado aos dependentes de segurados que cumprem
pena em regime fechado ou semiaberto. O valor varia dependendo da contribuição
prévia de cada preso, mas vai de R$ 622,00 a R$ 915,05, conforme portaria
interministerial n° 2 (06/01/2012). Para poderem receber o benefício, os
dependentes devem comprovar que o preso é segurado e, de três em três meses,
precisam atestar que o mesmo continua cumprindo pena encarcerado.
Em junho deste ano 36.153 segurados foram beneficiados pelo
auxílio-reclusão e o valor recebido foi, em média, R$ 681,40. Os números
representam apenas 0,12% do total de segurados incluídos no "Regime Geral
de Previdência Social" (RGPS) no mês. Para que os dependentes recebam o
auxílio, o preso não pode receber salário ou qualquer outro benefício durante a
reclusão (como auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em
serviço). Em caso de fuga, liberdade condicional, transferência para prisão
albergue ou cumprimento da pena em regime aberto, o benefício é interrompido,
assim como se a condição de "dependente" for perdida. O
auxílio-reclusão também pode ser convertido em pensão vitalícia no caso de
óbito durante o cumprimento da pena.
O Ministério da Previdência Social não soube informar a previsão
dos gastos para o próximo semestre, já que os valores variam de acordo com o
número de presos e podem ser alterados em casos de fugas e rebeliões.
Brasil tem mais de meio milhão de presidiários
Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) revelam uma
população carcerária de 514.582 presos (números referentes a dezembro de 2011 e
publicados em 2012). Tamanho volume de presos deixa o Brasil em quarto lugar no
ranking elaborado pelo "Centro Internacional para Estudos sobre
Prisões" em parceria com a Universidade de Essex, sobre as maiores
populações penitenciárias do mundo. O Brasil fica atrás apenas dos EUA, China e
Rússia. Porém, o fenômeno igualmente se mostra marcante pelo constante
crescimento da população carcerária brasileira nas últimas décadas. O Depen
mostra que, em 2000, o número de detentos era de 232.755. Em 2005, passou para
361.402 (aumento de 55% em cinco anos) e em 2010, para 496.251 presos (aumento
de 37% no mesmo período).
A assessoria do Ministério da Justiça ressalta que o Depen atua de
forma complementar em relação aos estados, responsáveis pela manutenção de seus
sistemas prisionais e que o órgão repassa recursos e induz políticas. No âmbito
do Ministério da Justiça, estão em andamento diversas iniciativas para diminuir
o déficit carcerário nacional e melhorar a situação do sistema penitenciário em
geral, tais como:
O Programa Nacional de Apoio ao Sistema Prisional, lançado em
novembro de 2011, com um repasse de R$ 1,1 bilhão aos estados pelos próximos
três anos. De acordo com o Ministério da Justiça, a iniciativa deverá gerar
42,5 mil vagas em penitenciárias e cadeias públicas.
A ressocialização por meio do trabalho, investimento de R$ 4
milhões em oficinas de capacitação profissional para reinserção de presos, cujo
objetivo é criar alternativas de ressocialização, possibilitando ao preso
deixar o sistema carcerário com capacitação para que possa ter um ofício e
conseguir emprego. Os projetos de reinserção diminuem as taxas de reiteração na
criminalidade.
O fomento às penas e medidas alternativas, que adotam alternativas
penais nos estados e municípios, além de ampliar a rede de instrumentos de
efetivação das políticas. O Ministério da Justiça lembra ainda que, em dezembro
de 2011, foi criada a Estratégia Nacional de Alternativas Penais - Enape, cujo
objetivo é fomentar a política e a criação de estruturas de acompanhamento à
execução das alternativas penais nos estados e municípios. Seus objetivos são
estudar e propor alterações legislativas para garantir a sustentabilidade e
efetividade da política de alternativas penais, fomentar, no âmbito dos estados
e municípios, a criação de órgãos responsáveis pela condução da política de
alternativas penais e a capacitação de agentes da rede social para intervenção
na estratégia, além de outras medidas.
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