Espanha e França superam teste
dos mercados; Grécia negocia com bancos
Espanha e França superaram
com êxito nesta quinta-feira seu primeiro grande teste nos mercados desde a
redução de suas respectivas notas, em um dia marcado também por uma nova rodada
de negociações cruciais para Grécia - prevista para o final da tarde - com o
intuito de se chegar a um acordo com os bancos.
Ante
uma enorme demanda, o Tesouro espanhol captou 6,609 bilhões de euros, sendo que
a meta estava situada entre 3,500 e 4,500 bilhões.
Paris,
por sua vez, conseguiu obter quase 9,500 bilhões de euros, com taxas também em
baixa.
Estas
emissões da dívida espanhola e francesa, algumas delas a 10 anos, significaram
um primeiro grande teste após o rebaixamento, realizado há quase uma semana,
das notas de nove países da Eurozona pela agência de classificação Standard and
Poor's, que privou França e Áustria da nota máxima triplo A, reduzindo-as em um
escalão. Já a nota da Espanha foi rebaixada em dois escalões.
Este
rebaixamento em série, previsto pelos mercados, fez temer uma alta dos juros
que teriam que ser pagos por estes países para emitir dívida, mas o efeito foi
contrário. Desde segunda-feira, França, Espanha, Alemanha e Portugal têm pago
juros mais baixos.
No
caso da Espanha, esta é a sexta emissão com um custo de financiamento menor em
geral, em particular para os bônus a 10 anos.
A
Grécia, por sua vez, continua tentando desesperadamente convencer a seus
credores privados (bancos, fundos de investimento, etc) para que lhe perdoem
100 bilhões de euros de sua dívida de 350 bilhões.
Nesta
quinta-feira, os credores gregos voltarão a se reunir com o primeiro-ministro
Lucas Papademos, em Atenas.
Na
sexta-feira passada, foram suspensas as negociações devido ao desacordo sobre
os tipos de juros a serem pagos pela Grécia para os novos títulos da dívida que
serão emitidos.
Uma
fonte bancária disse na quarta-feira em Paris que os bancos franceses, que já
perdoaram 60% de sua exposição à dívida grega, terão que aumentar o volume de
dívida perdoada.
As
autoridades gregas já reiteraram seu otimismo sobre a possibilidade de que se
chegue a um acordo antes do final de semana.
O
conselho de administração do FMI, por sua vez, deu sinal verde em Washington
nesta quinta-feira para negociar com a Grécia um novo empréstimo acordado pela
zona do euro a Atenas em outubro passado, num sinal de que a Grécia e seus
credores privados estão de fato próximos de um acordo.
Os
principais credores da Grécia - o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e
o FMI - atrasaram sua missão a Atenas, prevista para o início da semana, também
à espera do resultado das negociações com os bancos.
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