Presidente da Fiat Argentina pede resgate do 'espírito
Mercosul'
Cristiano Rattazzi está
preocupado com tensão comercial com o Brasil.
Ministro brasileiro afirmou que a 'Argentina é um problema permanente'.
A escalada da tensão
comercial entre Brasil e Argentina já preocupa os empresários argentinos. Com a
memória ainda fresca sobre as consequências do bloqueio que a indústria
automobilística sofreu, no ano passado, com centenas de veículos argentinos
parados na fronteira, o presidente da Fiat Argentina, Cristiano Rattazzi,
apelou para o resgate do espírito do Mercosul. Em entrevista à Agência Estado,
Rattazzi opinou que os dois países "precisam limar qualquer tipo de
aspereza e resgatar o espírito inicial do Mercosul".
Segundo
o executivo, Brasil e Argentina devem usar ferramentas que permitam "a
integração total da região para conquistar outros mercados e fazer acordos de
comércio com outros países, em vez de ficar neste mercado fechado".
Já
o presidente da União Industrial da Argentina (UIA), José Ignácio de
Mendiguren, adotou um discurso mais alinhado à Casa Rosada. Ao comentar as
declarações do ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, de que a "Argentina é um problema
permanente", Mendiguren afirmou que "o Brasil já tem mais de 80 meses
de uma balança comercial brutalmente favorável com a Argentina e os números não
justificam este tipo de reclamação". Em entrevista a uma rádio local,
Mendiguren ressaltou que "as exportações do Brasil para a Argentina
cresceram acima de 25% no último ano".
Outro
empresário comentou que o problema da Argentina é grave porque o país perdeu a
competitividade com o Brasil. "O real se desvalorizou uns 20% e o peso, só
8%. Hoje a Argentina não tem a competitividade que tinha antes com o
Brasil." A situação macro é muito diferente que a de um ano atrás, por
exemplo", disse.
Ele
alertou que o cerco contra as importações brasileiras vai gerar graves
problemas para as pequenas empresas. "Os bens de consumo já estão faltando
e os bens intermédios também. As empresas grandes podem conseguir negociar a
liberação das importações dos insumos que necessitam para manter suas
produções, mas as pequenas já têm maiores dificuldades para isso",
comentou.
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