Parasita pode ficar mais forte com mudanças do clima, diz
estudo
OSLO,
12 ago (Reuters) - Os parasitas podem se tornar mais virulentos com a mudança
climática, segundo um estudo mostrando que rãs sofrem mais infecções de um
fungo quando expostas a oscilações inesperadas de temperatura.
Parasitas, que incluem os platelmintos, organismos minúsculos
agentes da malária e de fungos, podem se adaptar de forma mais ágil a mudanças
climáticas do que os animais que os hospedam, já que são menores e crescem mais
rapidamente, disseram cientistas.
"O aumento na variabilidade climática deve tornar mais
fácil para os parasitas infectarem seus hospedeiros", disse à Reuters
Thomas Raffel, da Universidade Oakland, nos Estados Unidos, baseando-se nas
descobertas sobre rãs e um fungo de pele que às vezes pode ser mortal.
"Achamos que isso pode exacerbar os efeitos de alguma
doença", ele disse sobre o relatório que liderou com colegas na
Universidade de South Florida. O relatório será publicado na edição de
segunda-feira da revista Nature Climate Change.
Um painel de especialistas da ONU diz que o aquecimento global
deve aumentar o sofrimento humano com mais ondas de calor, enchentes,
tempestades, incêndios e secas, e ter efeitos como a disseminação do alcance de
certas doenças.
E a mudança climática, atribuída a gases que provocam o efeito
estufa liberados por combustíveis fósseis, também deve significar mais
oscilações nas temperaturas.
"Poucos... estudos consideraram os efeitos da variabilidade
ou previsibilidade climática sobre a doença, apesar de ser provável que
hospedeiros e parasitas terão respostas diferentes às mudanças
climáticas", escreveram.
Os cientistas expuseram rãs cubanas em 80 incubadoras de
laboratório a temperaturas variadas e a infecções de um fungo, o
Batrachochytrium dendrobatidis, que costuma ser mortal para os anfíbios.
Em um experimento, as rãs mantidas em uma temperatura de 25
graus Celsius por quatro semanas sofreram mais infecções quando foram
transferidas para incubadoras a 15 graus e expostas ao fungo do que as que
estavam acostumadas a viver a 15 graus.
"Se você muda a temperatura, a rã está mais suscetível à
infecção do que uma que já estava adaptada àquela temperatura", disse
Raffel.
Em outro teste, as rãs que foram expostas a variações
previsíveis da temperatura diária, entre 15 graus e 25 graus, típicas das
mudanças da noite para o dia, saíram-se bem melhor em resistir ao fungo.
Baseando-se em fatores como tamanho, expectativa de vida e
fatores como seus metabolismos, os cientistas disseram que as rãs provavelmente
levaram 10 vezes mais tempo do que o fungo para se acostumar a mudanças
inesperadas de temperaturas, um processo conhecido como aclimatação.
Raffel disse que mais testes eram necessários de outros
parasitas e hospedeiros para confirmar as descobertas. "Esse estudo só foi
feito em uma única espécie de rã tropical", ele disse.
Nenhum comentário:
Postar um comentário