Justiça determina paralisação das obras de Belo
Monte
O TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) determinou a
paralisação das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). A
decisão foi tomada após o tribunal identificar ilegalidade em duas etapas do
processo de autorização da obra, uma no STF (Supremo Tribunal Federal) e outra
no Congresso Nacional.
Em carta, Funai relata pressões para liberação de etapa
da obra de Belo Monte
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Caso a empresa Norte Energia não
cumpra a determinação, terá de pagar multa diária de R$ 500 mil. Cabe recurso à
decisão no STF (Supremo Tribunal Federal).
A Norte Energia informou que só
vai se manifestar nos autos sobre a decisão.
A decisão foi tomada pela 5ª
Turma do tribunal, em embargo de declaração apresentado pelo Ministério Público
Federal no Pará. Os procuradores da República haviam entrado, anteriormente,
com uma ação civil pública pedindo a suspensão da obra, mas o pedido foi
recusado.
"Na decisão anterior, o desembargador Fagundes de Deus partiu
de premissa equivocada de que STF tinha declarado a constitucionalidade do
empreendimento. Só que esse julgamento não foi feito", disse o relator do
embargo de declaração no TRF1, desembargador Souza Prudente.
"O que houve foi uma decisão
monocrática da [então presidenta] ministra Ellen Gracie, de atender pedido de
liminar da AGU [Advocacia-Geral da União], quando a matéria só poderia ter
declarada sua constitucionalidade se aprovada por dois terços da composição
plenária da suprema corte", disse Prudente.
Segundo ele, houve vícios também
na forma como o Congresso tratou da questão. "A legislação determina
realização prévia anterior à decisão pelo Congresso Nacional, e o que houve foi
uma oitiva posterior [à autorização da obra]".
"O Congresso Nacional fez
caricatura e agiu como se estivesse em uma ditadura, colocando o carro na
frente dos bois", disse o desembargador. "Com isso acabou tomando uma
decisão antes mesmo de ter acesso aos estudos técnicos --feitos por equipe
multidisciplinar, apontando previamente os impactos ambientais da obra--
necessários à tomada de decisão."
BELO MONTE
A usina hidrelétrica Belo Monte
terá cerca de 11 mil megawatts (MW) de potência e tem entre os acionistas
Eletrobras, Cemig, Light e Neoenergia, entre outras empresas.
As obras já foram paradas neste
ano diante de protestos de indígenas que reclamavam que as condicionantes para
a construção da usina não tinham sido cumpridas.
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