Famílias ficam surpresas após IBGE dizer que são do
Piauí, não do Ceará
Moradores de Sumaré rejeitam IBGE e
dizem que povoado está no Ceará.
IBGE afirma que perguntou aos moradores sobre onde
gostariam de estar.
Recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
surpreenderam os moradores de Sumaré, ao declarar que a localidade pertence a
Cocal, no Piauí, no mais recente censo demográfico, em 2010. Para as 30
famílias que moram no local, o povoado pertence a Viçosa do Ceará. “Em janeiro
de 2010, veio um rapaz com um mapa e disse que só umas seis casas ficavam no
Ceará”, diz o agricultor Pedro Antônio de Oliveira, 38 anos. A prefeitura do
município piauiense afirma que não tem como bancar o povoado.
O IBGE informou que fez uma divisão para fins censitários. "Para
outros órgãos, continua área de litígio", explica o chefe do IBGE no
Ceará, Francisco José Moreira Lopes.
Em ofício de janeiro de 2011 aos municípios, o IBGE fez uma divisão das
regiões referente ao Censo de 2010. As localidades de Boqueirão do Cercado,
Baixa do Cedro, Pau Ferro, Oitizeiro, Picui, Socorro, Sabiazal, Santa Cruz,
Córrego do Lino, Limoeiro, Limoeirinho, Boaçu, Puxi e Lamarão estão no
território de Granja, no Ceará. Os povoados de Olho d'água dos Costas estão
divididos entre Viçosa do Cearáx e Granja. Já Sumaré foi inserida no território
de Cocal, no Piauí.
As áreas onde a indefinição é mais crítica concentram 5.528 habitantes,
espalhados por oito distritos. Conduru, Palmeiras dos Ricardos e Grota, estão
em Granja, no Ceará (1359 pessoas). Jaboti e Tucuns foram parte para Granja
(1359) e parte para Cocal, no Piauí (312). Deus me Livre (526), Sumaré (257) e
Campestre (1715) ficaram no Piauí.
Lopes
diz que o instituto estuda o limite para fins censitários e que os dois estados
respeitam o levantamento. “Tanto Ceará quanto Piauí trabalham em uma mesma base
que foi orientada pela diretoria de geociências do IBGE no Rio de Janeiro. Esse
limite já vem desde 1996”, explica.
Francisco Moreira Lopes explicou que os técnicos do IBGE
discutiram com os moradores sobre onde eles gostariam de estar. “[O IBGE] Ouviu
moradores e traçou um limite para fins censitários. É evidente que a população
quer manter o vínculo com o município que presta os serviços”. Lopes ressalta
que não é atribuição do IBGE intervir em serviços de saúde, educação,
infraestrutura. “Cada prefeitura faz seus investimentos”.
Para o chefe do IBGE no Ceará, o Piauí quer que o limite volte ao decreto do período imperial. “O que é totalmente diferente do que é feito na prática”, afirma. O ponto mais delicado, segundo Lopes, é o município de Poranga, a 347 quilômetros de Fortaleza. “Se for adotado esse limite que o Piauí sugere, o município perde cerca de 66% de sua área e quem faz os serviços é o estado do Ceará”, afirma.
Para o chefe do IBGE no Ceará, o Piauí quer que o limite volte ao decreto do período imperial. “O que é totalmente diferente do que é feito na prática”, afirma. O ponto mais delicado, segundo Lopes, é o município de Poranga, a 347 quilômetros de Fortaleza. “Se for adotado esse limite que o Piauí sugere, o município perde cerca de 66% de sua área e quem faz os serviços é o estado do Ceará”, afirma.
Confusão
Pedro Antônio, morador de Sumaré, diz que pelo censo do IBGE o distrito “sai do Piauí, entra no Ceará, depois é Piauí de novo”. Para o agricultor, a comunidade quer ficar no Ceará. “Quando surgiu tudo ficou a maior confusão. Porque ninguém queria estudar no Campestre [em Cocal, no Piauí]. Inclusive as aulas do Piauí são muito diferentes das de Viçosa [no Ceará]”.
A indefinição faz com que muitos serviços sejam compartilhados
por moradores dos dois estados. Os ônibus de Viçosa do Ceará, por exemplo,
buscam crianças nas localidades piauenses de Palmeiras dos Ricardos e Sumaré.
A agricultora Lêda Maria Rocha, de 38 anos, diz que cinco
pessoas de Sumaré informaram ao censo do IBGE que eram do Piauí sem saber do
que se tratava. Outro agricultor, Pedro José de Oliveira, de 72 anos, disse que
há uma área ao lado de Sumaré, chamada Palmeiras dos Ricardos, onde os
moradores já se consideram piauienses. Os censores do IBGE teriam levado
documentos para que a comunidade de Sumaré também assinasse se reconhecendo do
Piauí.
No entanto, Pedro Antônio resistiu em reconhecer a constatação
do IBGE. “Tenho é pasta cheia, tudo que é documento de Viçosa. Não tem nenhum
papel assinado que seja de Cocal (PI). Aí surgiu o IBGE, querendo que a gente
assinasse". Ele afirma que “não assinou de jeito nenhum”.
“Aí teve duas casinhas ali mais adiante, que umas mulherezinhas
assinaram. Os homens não estavam. As mulherezinhas foram e assinaram para ele.
Não sabiam. E o que deu foi isso. Aí depois jogaram que Sumaré era no Piauí.
Como é que pode?”, reclama.
Prefeitura de Cocal
O prefeito de Cocal, Fernando Sales (PSB), diz que o município piauiense “não tem a menor condição” de atender à localidade de Sumaré. “Para a gente é melhor que fique com Viçosa do Ceará. A gente não tem condição de arcar”, afirma. O prefeito informou ainda que o município não recebe nenhum recurso de Fundo de Participação dos Municípios (FPM), por Sumaré. “Não recebemos porque não fomos atrás”, explicou.
Viçosa do
Ceará
Viçosa do Ceará tem feito medidas paliativas, segundo o secretário de infraestrutura do município, Sérgio Fontenele. Para ele, a divisa precisa ser definida e a cidade que tiver domínio sobre aquela região deve receber proporcionalmente o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e demais fundos constitucionais. O FPM é constituído a partir de informações demográficas, cuja responsabilidade de elaboração é do IBGE.
De acordo com Sérgio Fontenele, Viçosa do Ceará acreditava que
aquela região pertencia ao município, até receber do IBGE um ofício informando
que Sumaré se encontra localizado em Cocal (PI).
Nenhum comentário:
Postar um comentário