

Francisco Petros
Economista e pós-graduado em finanças (IBMEC). Trabalha há vinte anos na área de mercado de capitais, especialmente no segmento de administração de fundos e carteiras, corporate finance e consultoria financeira. Foi Presidente da APIMEC- Associação Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (2000/02).

José Marcio Mendonça
Jornalista profissional, analista de riscos. Foi diretor da Rádio Eldorado, de São Paulo, e chefe de redação da Sucursal Brasília dos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Jornal da Tarde". Editou o "Caderno de Sábado", suplemento de cultura o JT. É editor do blog "A política como ela é" e colunista do jornal "Diário do Comércio" (SP)
Estímulos à economia : fatos e
expectativas
Em matéria econômica, as expectativas
antecedem aos fatos. Na política, ocorre o contrário. Na economia, os agentes
operam em função das expectativas. Na política, os agentes políticos operam em
função dos fatos e, assim, formam-se as expectativas. Nesta terça-feira, Dilma
tentará operar as expectativas dos agentes econômicos por meio de uma série de
medidas que visam reverter o quadro de letargia que está por tomar a economia.
Também, criará um fato político, tentando atrair, para o suporte de seu governo,
agentes econômicos desconfiados em relação a seu governo. As chances de sucesso
das medidas econômicas são relativamente limitadas em função de dois aspectos
gerais : (i) ao estimular setores econômicos específicos, os efeitos das
medidas se limitam em larga medida a cadeias de produção limitadas. Sobretudo a
desoneração de certos tributos nas exportações tenta criar uma espécie de
"taxa de câmbio" para cada setor "selecionado". Com isso a
competitividade do sistema é mitigada em prol de uns poucos ; (ii) a taxa de
investimento cresce em função do "espírito animal" dos agentes pelo
qual estes criam uma nova base produtiva para lucrar no futuro. Ora, com o
consumo cadente (os salários em termos reais estão estagnados) e pouca crença
dos agentes em relação às reformas estruturais e regulamentações estatais
pró-iniciativa privada, o cenário torna-se mais incerto. O governo sabe disso,
mas aparentemente operará conforme as necessidades forem surgindo. Ou seja, no
ritmo lento e gradual que é a marca da gestão Dilma. Por tudo isso, o fato
político é insuficiente para ampliar a base política do governo.
A necessária criatividade e paciência
presidencial
Há de se reconhecer que a política
econômica do governo é segura, mas carece de criatividade num mundo complexo e cheio
de armadilhas. Assim, estrategicamente, o governo mostra-se incapaz de operar
contra a "guerra cambial" que ele próprio diagnostica. Enquanto isso,
os países centrais, especialmente os EUA, atuam com medidas vastas e de peso -
no caso norte-americano, até com o "apoio" dos modelos e algoritmos
do Pentágono - o governo Dilma não enfrenta assuntos pendentes e relevantes.
Vejamos alguns pontos : quem estrutura "políticas industriais" que
atraem investimentos externos ? Quais os efeitos concretos da "política de
campeões" do BNDES ? Há algo de "esquisito" numa economia onde a
tributação sobe em termos reais e a atividade econômica patina. O fisco tem de
combater a sonegação, mas não estará onerando exatamente os mais produtivos ? O
BC reduz (corretamente) os juros básicos, mas como agirá em relação ao spread bancário
e aos elevados custos do crédito doméstico ? Eis algumas questões inquietantes
que precisam ser enfrentadas e que carecerão de dois outros aspectos : (i)
dependem, em parte, de apoio político congressual e social e (ii) da paciência
presidencial em articular interesses e ações governamentais. Ambos os aspectos
andam meio capengas.
Novo imposto ?
Informações extraoficiais da semana passada, enquanto Dilma carregava a
tiracolo na Índia dois de seus outros conselheiros em matéria de economia - o
ministro Pimentel e o secretário-executivo do ministério da Fazenda, Nelson
Barbosa - davam conta de que a presidente teria pedido mais criatividade ao
ministro Mantega nas medidas do pacote de indução ao crescimento mais acelerado
da economia nacional e proteção da indústria pátria. Ela não quer mais do
mesmo. Nesse caminho, a Fazenda deixou vazar em Brasília a informação de que
pode criar, excepcionalmente, uma Cofins especial para taxar os produtos importados.
Criatividade, mais do mesmo de sempre ou uma forma de compensar a desoneração
de alguns impostos para alguns setores da indústria ?
Silêncio constrangedor
Todas essas discussões sobre pacote ou não pacote, mais ou menos
subsídios, redução dos juros do BNDES (uma das medidas em estudo), que
transferem dinheiro público de um lado para outro, determinando vencidos e
vencedores, e de um modo ou de outro, para o bem e para o mal vão interferir na
vida de milhões de brasileiros, se dão totalmente à margem do Congresso e dos
partidos. A sociedade em seus momentos mais cruciais continua indefesa. A
oposição não sabe o que fazer, os governistas sabem bem demais o que querem.
E o ministério do Desenvolvimento ?
Fernando Pimentel, ministro do
Desenvolvimento e amigo da presidente, deveria ser peça fundamental para a
articulação econômica do governo. Todavia, anda tropeçando na prestação de
contas de seus altíssimos rendimentos pós-gestão na prefeitura de BH e, ao
mesmo tempo, anda se desentendendo com a Fazenda de Guido Mantega. Não há
nenhum empresário, ao que parece, querendo protestar contra a falta de apetite
do Desenvolvimento para atacar os problemas da indústria nacional. Todavia, não
são poucos os sussurros que se ouvem nas reuniões de empresários quando o assunto
gravita em torno das políticas do Desenvolvimento. Se fossem em voz alta, tais
sussurros corariam as bochechas do mineiro.
Mas ele ainda tem prestígio
Apesar disso, do "malfeito" (vide Dilma) de que é suspeito, o
ex-prefeito de BH ainda é um dos homens de maior confiança da presidente. Basta
ver as fotos das viagens dela ao Exterior, como p. ex. esta agora à Índia para
a reunião dos Brics : Pimentel está sempre ao lado. Sem contar o esquema que
ela montou para evitar que ele vá explicar-se na Câmara e no Senado. No
calcanhar dessa estratégia está a Comissão de Ética Pública da Presidência.
Abriu-se uma investigação sobre as consultorias de Pimentel, com o voto de
desempate do presidente da Comissão, o ex-ministro do STF, Sepúlveda Pertence.
Viu-se no voto de Pertence uma reprimenda pública e dura a Pimentel. Bons
farejadores de Brasília apostam que vai ficar por aí. Pimentel poderá receber
apenas uma reprimenda leve, ao contrário do que ocorreu, por exemplo, com o
ex-ministro do Trabalho, Carlos Luppi. Observa-se que o pedetista carioca, ao
contrário do petista mineiro, não está no coração de Dilma. Além do mais,
quando a Comissão anunciou que trataria do caso Pimentel, a presidente não
escondeu sua contrariedade. Algumas daquelas pessoas que portam a voz da
presidente, anonimamente, informaram até que ela pensava em trocar praticamente
todos os membros da Comissão. A história foi timidamente desmentida. Mas ficou
o recado. Um momento decisivo para o prestígio do grupo dirigido por Pertence.
Enquanto isso nos EUA...
Não se sabe ainda se a demanda
"em aquecimento" nos EUA será suficiente para sustentar e estimular o
investimento e, sobretudo, o consumo futuro. Todavia, a patota de Wall Street
começa a especular que é possível que a maior economia do mundo esteja saindo
do buraco em que se meteu. Não são poucos os que temem uma disparada futura da
inflação, é verdade. Basta ver que os metais e outras commodities que
são "reserva de valor" persistem com demanda por parte daqueles que
querem se proteger contra um dólar mais frágil e inflacionado. Todavia, no
curto prazo está se consolidando a ideia de que as ações seguirão em rota de
alta (o que ajuda a demanda) e o emprego sobe ainda mais no curto prazo
(atualmente ao redor de 8,7%). Obama agradece duplamente o melhor desempenho da
economia e o discurso desencontrado dos republicanos, além da tibieza verbal e
política de seu principal candidato Mitt Romney. A sina de Obama pode ser a
reeleição. Depois dela, virá a necessidade de dar maior consistência à política
econômica. Aí a "onça vai beber água". Por enquanto, vale apostar na
melhoria de cenário.
Os BRICS
O mercado financeiro e de capital é
hábil em provocar movimentos mais enérgicos nas economias (grandes e pequenas)
de todo o mundo. Todavia, também é pródigo em modismos e siglas. Jim O'Neill,
chefe de pesquisa econômica da Goldman Sachs, cunhou o acrônimo BRICS para se
referir a um "grupo" de países que inclui o Brasil, a Rússia, a
Índia, a China e a África do Sul, esta última "incorporada"
tardiamente aos presumidos emergentes. Pois bem : deste acrônimo nasceram
muitas iniciativas governamentais, inclusas as reuniões de cúpulas que tentam
articular as ações destas nações. A julgar pelos resultados da reunião da
semana passada na Índia, o destino destas reuniões parece ser o de produzir
muito papel e pouco resultado. O motivo é simples e, por enquanto, bem claro :
nenhum destes países tem suficiente interesse comum para se somar aos outros do
grupo. A China está preocupada com o seu passivo comercial perante os EUA, a
Índia tenta se opor a certas estratégias da China, a Rússia vive booms e
revezes conforme andam as cotações de petróleo e a África do Sul, bem... de
fato, não sabemos...
A fome e a sede
O PT, acusa abertamente os aliados e
os fatos o comprovam, é partido de deixar apenas migalhas para os aliados.
Mesmo quando faz concessões, como agora quando cederá algumas disputas em
capitais e grandes cidades, com mais de 150 mil habitantes, está de olho grande
em coisas maiores. No caso, manter no redil petista em 2014 os parceiros de
hoje. Os parceiros entregam-se ao jogo. Uns por falta de opções e porque o
Palácio do Planalto, com cargos, verbas, canetas e "Diário Oficial" é
um imã irresistível. Outros, visam, além dessa vantagem, estar próximos e bem
situados para o momento do bote, quando ele se abrir. Nesta última posição
estão o PMDB e o PSB. Os dois se preparam para eventuais vacilações petistas em
2014. Com Lula fora de uma outra empreitada eleitoral, só resta ao PT
abraçar-se a Dilma ou criar uma opção em dois anos caso a presidente falhe. No
primeiro caso, há parte do PT que não saboreia inteiramente a presidente,
porque acha que ela usurpou o que era deles. E, no segundo, tropeços vários
anularam o surgimento de líderes de peso no partido no médio prazo. É nesse
vazio que apostam os sedentos aliados de hoje, possíveis adversários do PT
amanhã.
Lula em tempos de crise
Contrariando conselhos médicos, Lula
mergulhou de vez na campanha eleitoral, um dia apenas após ter tido a excelente
notícia de que houve remissão do seu câncer na garganta. O fez pelo gosto, pelo
prazer, e porque fazer política é tudo para ele. Já marcou até aparições
públicas, que certamente desabarão em grandes comícios, em abril - uma em São
Bernardo outra em Brasília. Está fazendo por gosto mas também porque, apesar da
aparente tranquilidade, os pepinos políticos estão no ar : é Haddad que não
deslancha, são os parceiros que estão cobrando caro do PT e do governo Federal
as parcerias de outubro, e as dificuldades de Dilma com o Congresso, apenas
empurradas com a barriga para "depois da Semana Santa". Somente Tio
Lula para botar a casa em ordem, mesmo com sacrifício.
Radar NA REAL
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30/3/12
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Câmbio
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- EURO
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1,3323
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baixa
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baixa
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- REAL
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1,8291
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estável/baixa
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estável/baixa
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Mercado
Acionário
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Ibovespa
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64.510,97
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estável/alta
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estável
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S&P 500
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1.408,47
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estável/alta
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alta
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-
NASDAQ
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3.091,57
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estável/alta
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alta
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(1) Títulos públicos e privados com
prazo de vencimento de 1 ano (em reais).
(2) Em relação ao dólar norte-americano
NA - Não aplicável
(2) Em relação ao dólar norte-americano
NA - Não aplicável
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